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Estou me preparando pra fazer uma Gastroplastia... redução de estômago... E uma maneira de controlar a ansiedade é escrever...
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domingo, 13 de fevereiro de 2011

Meus cúmplices

Sou abençoada com os médicos que tenho.

De cara, não acredito em tirania. Portanto, não combino com médicos severos, ditadores, negativistas, que te expoem todos os riscos e te "cobram" atitudes ameaçando com uma sentença de morte na outra ponta da linha - como se a morte não estivesse na outra ponta da linha pra todos nós... E nos culpabilizam, nos responzabilizam por todos os males.

Eles só esquecem que estar obeso, ter a vida limitada, ser ridicularizados, rejeitado, cobrado pela sociedade e por si mesmo já é um castigo enorme! Proporcional ao nível da obesidade. E a obesidade, pra maioria, é igual ao cigarro: a culpada de todos os males, sempre: você tem asma desde criança, mas só ficou assim porque engordou... Você nasceu com o pé torto, mas se não fosse gordo ele teria endireitado... E por aí vai...

Não estou dizendo que a obesidade não é um problema. É, sim. Enorme. E em todos os níveis.
  • É um problema pra comprar uma roupa. Começa com a escolha de um lugar onde a gente não pague o mico de ser olhada como aberração, até a sorte de ter algo que junte bom gosto e nosso tamanho, terminando com o preço que é, sempre, muito mais alto que os outros tamanhos...
  • É um problema afetivo já que a maioria das pessoas olha antes de mais nada, do 1º ao 10º lugar, a embalagem - e a nossa está, obviamente, avariada... E nesse quesito, não dá pra fazer como nas roupas e levar "elke" - "elke couber..."
  • É um problema social, já que na maioria dos lugares as cadeiras são lindas, desconfortáveis e... pequenas. Estamos sempre tendo que pedir "uma cadeira sem braços, por favor"... e se for daquelas horrorosas, de plástico... quer coisa mais desagradável que ter que colocar duas, uma dentro da outra?
  • Com tudo isso, naturalmente, é um problema de autoestima, também. E como não ser, se você vê que a roupa não caiu bem, que o gato está paquerando sua amiga, que as pessoas nem sempre te chamam porque "tinha que andar muito", "o espaço era pequeno", "não aguentava muito peso"?
  • Isso, se você tiver a sorte de não passar pelo bulling. De rirem na sua cara, tirarem onda e ser chamada de baleia, rolha de poço, barril, etc... Tudo aquilo de que chamam você, pelas costas e você finge que não sabe... Já basta os carinhosos gordinha, fofa, cheiinha..
  • E nem falei dos problemas de saúde. Dores musculares, nas articulações, fôlego curto, hipertensão, sobrecarga no coração, amenorreia, etc, etc, etc...

Com tudo isso, o que mais precisamos é de cúmplices. Cúmplices que nos ajudem a superar tudo isso, a desenvolver uma autoestima saudável, a superar os medos ou problemas que nos afastam da solução definitiva da obesidade. Cúmplices que vejam além da casca, que tenham, no mínimo, humanidade e entendam todos os desconfortos que já estamos passando.

Por isso me sinto abençoada com os médicos que tenho. São competentes, seguros e cúmplices. Meu cardiologista faz tempo que me incentiva a fazer a cirurgia. Ele diz que quer me ver voltar a ser quem eu era. E que não está falando só do físico, mas da alegria, da energia, do olho brilhando... Voltei lá há alguns dias e falei que quero ver se agora faço a cirurgia, mas me preocupa o fato de não ter conseguido perder os 20 kg que o cirurgião quer. E ele disse que não me desestimulasse, porque em 2 anos muita coisa mudou, as técnicas evoluíram e talvez seja possível fazer por vídeo mesmo sem perder esses 20 kg... Saio de sua sala sempre energizada, renovada... Levei meus filhos ao pneumologista. E foi o próprio médico que me convidou a ir fazer os testes com ele. Me estimulou, disse que cada dia que perco é um dia de minha vida que deixo de aproveitar, contou casos de sucesso... Saí de lá me sentindo outra...

E minha terapeuta é um caso completamente à parte... Além de cuidar do meu juízo (ou falta dele), ela cuida do alinhamento de chakras, da revitalização energética. E já se propôs a ir comigo para fazer a endoscopia e mesmo durante a cirurgia. Preciso dizer o quanto isso me deixa mais segura, mais tranquila?

Fora da área médica, tenho alguns cúmplices importantes, também. Meus filhos não deixam de reforçar o quanto querem me ver bem. Minha filha faz planos de como vai poder cuidar de mim durante a recuperação, ou de como vai assumir as responsabilidades da casa nesse período. Minhas assistentes, idem. Alguns amigos me oferecem a casa deles para eu ficar durante a convalescênça... Mesmo que nada do que eles propõem possa ser feito, vale o reforço, o carinho, o cuidado...

Eu queria que todo mundo entendesse a importância disso. Se as pessoas entendessem que, ao contrário do título do livro de dietas, ninguém é gordo porque quer, com certeza seriam mais generosas com os obesos. Pode até ser por indisciplina, mas ninguém escolhe ser indisciplinado a ponto de colocar sua saúde, sua vida em risco. Nem mesmo um dependente químico - existem outros fatores que levam a essa indisciplina, irresponsabilidade, compulsão, ou como queiram chamar...
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E a cura da maior parte desses fatores passa por um caminho simples... Amor.

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