BEM VINDOS!

Estou me preparando pra fazer uma Gastroplastia... redução de estômago... E uma maneira de controlar a ansiedade é escrever...
escrever... escrever...

Faça comentários, dê dicas... vamos transformar este blog numa grande farra!

Beijos

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

10 Coisas Que Você Precisa Saber...

Acredito que todo mundo que pensa - ou precisa - fazer uma gastroplastia (cirurgia bariátrica) tem muitas dúvidas. Isso, somado à insegurança natural que toda cirurgia traz, pode sobrecarregar desnecessariamente quem já vai ter que lidar com uma drástica mudança de hábitos.

Achei interessantes os tópicos abordados no site www.endocrino.org.br sobre aspectos importantes para quem vai se submeter ao tratamento. Clique aqui para maiores detalhes.

10 Coisas que Você Precisa Saber sobre Cirurgia Bariátrica

O número de indivíduos com obesidade aumenta no mundo a cada dia e a cirurgia bariátrica vem se tornando um importante aliado no tratamento de pacientes com obesidade grau 3.
Conheça as 10 coisas que você precisa saber sobre este procedimento.
1 - Gastroplastia, também chamada de cirurgia bariátrica, cirurgia da obesidade ou ainda de cirurgia de redução do estomago é - como o próprio nome diz - uma plástica no estômago (gastro = estômago e plastia = plástica). Ela tem como objetivo reduzir o peso de pessoas com o IMC muito elevado.

2 - Esse tipo de cirurgia está indicada, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), para pacientes com IMC acima de 35 Kg/m² que tenham complicações como apneia do sono, hipertensão arterial, diabetes, aumento de gorduras no sangue e problemas articulares, ou para pacientes com IMC maior que 40 Kg/m² que não tenham obtido sucesso na perda de peso após dois anos de tratamento clínico (incluindo o uso de medicamentos).

3 - Existem três tipos básicos de cirurgias bariátricas: restritivas, mistas e disabsortivas. As cirurgias que apenas diminuem o tamanho do estômago são chamadas do tipo restritivo (Banda Gástrica Ajustável, Gastroplastia Vertical com Bandagem ou Cirurgia de Mason e a Gastroplastia Vertical em “Sleeve”). A perda de peso se faz pela redução da ingestão de alimentos. Existem também as cirurgias mistas, nas quais há a redução do tamanho do estomago e um desvio do trânsito intestinal. Há, além da redução da ingestão, a diminuição da absorção dos alimentos. As cirurgias mistas podem ser predominantemente restritivas (derivação Gástrica com e sem anel) e predominantemente disabsortivas (derivações bileopancreáticas).

4 - Antes da cirurgia todo paciente precisa ser avaliado individualmente, devendo ser submetido a uma avaliação clínico-laboratorial que inclui - além da aferição da pressão arterial - dosagens da glicemia, lipídeos e outras dosagens sanguíneas, avaliação das funções hepática, cardíaca e pulmonar. A endoscopia digestiva e a ecografia abdominal são importantes procedimentos pré-operatórios. A avaliação psicológica também faz parte dos procedimentos pré-operatórios obrigatórios. Pacientes com doença psiquiátrica grave devem ser tratados antes da cirurgia.

5 - Na maioria dos pacientes, a cirurgia bariátrica - além de levar a uma perda de peso grande - traz benefícios no tratamento de todas as outras doenças relacionadas à obesidade. É possível uma melhora importante ou mesmo remissão do seu diabetes, do controle da pressão arterial, dos lipídeos sanguíneos, dos níveis de ácido úrico e alívio das dores articulares.

6 - Do ponto de vista nutricional, os pacientes submetidos à cirurgia bariátrica deverão ser acompanhados pelo resto da vida, com o objetivo de receberem orientações específicas para elaboração de uma dieta qualitativamente adequada. Quanto mais disabsortiva for a cirurgia, maior a chance de complicações nutricionais, como anemias por deficiência de ferro, de vitamina B12 e/ou ácido fólico, deficiência de vitamina D e cálcio e até mesmo desnutrição, nas cirurgias mais radicais. Reposições vitamínicas são feitas após a cirurgia e mantidas por tempo indeterminado. A diarreia pode ser uma complicação nas cirurgias mistas, principalmente na derivação bileopancreática.

7 - A adesão ao tratamento deverá ser avaliada, pois alguns pacientes podem recorrer a preparações de alta densidade calórica e de baixa qualidade nutricional - que além de provocarem hipoglicemia e fenômenos vasomotores (sudorese, taquicardia, sensação de mal-estar) - colocam em risco o sucesso da intervenção em longo prazo, reduzindo a chance do indivíduo perder peso.

8 - A cirurgia antiobesidade é um procedimento complexo e apresenta risco de complicações. A intervenção impõe uma mudança fundamental nos hábitos alimentares dos indivíduos. Portanto, é primordial que o paciente conheça muito bem o procedimento cirúrgico e quais os riscos e benefícios da cirurgia. Desta forma, além das orientações técnicas, o acompanhamento médico, nutricional, psicológico e o apoio da família são aconselháveis em todas as fases do processo.

9 - Em pacientes que apresentaram uma perda de peso muito grande, uma cirurgia plástica para retirada do excesso de pele é necessária. A mesma poderá ser feita quando a perda de peso estiver totalmente estabilizada, ou seja, depois de aproximadamente dois anos. 

10 - Mulheres que realizam cirurgia bariátrica devem aguardar pelo menos de 15 a 18 meses para engravidar. A grande perda de peso logo após a cirurgia pode prejudicar o crescimento do feto.
*Consultoria da Dra. Maria Edna de Melo (presidente da Sociedade Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica – ABESO – e do Departamento de Obesidade da SBEM gestão 2017-2018) 

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

A Maratana dos Exames

A quantidade de exames do pré-operatório é monumental!

Já passei pelo cardiologista e fiz os exames básicos: eletrocardiograma e ecocardiograma. Devido ao peso, ele não pediu o teste ergométrico (de esforço). Mas quis uma série de 22 exames laboratoriais. Depois, no pneumologista fiz o teste de capacidade pulmonar. E ele pediu pra fazer a polissonografia (exame do sono ou de apneia).

Mas verdadeira maratona foi hoje: os 37 exames pedidos pelo cirurgião. Graças a Deus, a maioria coincidia com os pedidos pelo cardio. Assim, meu dia foi absolutamente "furado": Fui logo cedo pra fazer os exames em jejum e voltei à tarde para os exames pós prandial (depois de comer). O atentendente resolveu usar não apenas o mesmo braço, mas o mesmo local da manhã... 

Agora, vem a ansiedade de aguardar os resultados: alguns já saem amanhã, mas até a próxima semana todo dia vai ter um resultado novo.

Enquanto isso, preciso marcar a endoscopia e o ultrassom de abdômem total. E a nutricionista, para começar a dieta...

Entre uma coisa e outra... é fundamental uma boa dose de paciência e serenidade. Carinho ajuda. E muito.

13/02²017

domingo, 12 de fevereiro de 2017

Como Eu Cheguei Aqui...

Eu não fui uma criança gorda.
Nem mesmo fui uma adolescente ou jovem gorda. 

Ok, não era magricela e, em alguns momentos estive um pouco acima do peso. Mas nem de longe cheguei perto de ser obesa. Quando, aos 16 anos, resolvi procurar uma endocrinologista pois me achava muito gorda, tudo quanto ela me mandou perder foram... 5 quilos. E não gostou nem um pouco de eu ter perdido 8 kg. 

Foi meu primeiro contato com a quebra dos estereótipos;
  • esqueça aquela história de 10 kg a menos que altura. Tudo depende da sua estrutura óssea. No meu caso, segundo a médica, por ter uma estrutura óssea larga e pesada, eu jamais deveria seguir esse padrão. Meu peso ideal é o mesmo da altura. Ou seja, como tenho 1,68 m, deveria pesar entre 65 e 68 kg. Pelo menos na adolescência. Diminuí de 70 kg para 62 Kg, fiquei magérrima e assim me mantive por algum tempo.
Oscilei um pouco de peso na juventude. Mas, mesmo quando me achava gorda, não estava com um sobrepeso maior que 10 kg. Nesse período, comecei a perceber que quando estava mais relaxada eu emagrecia, mesmo comendo coisas absolutamente inadequadas, e que o estresse me engordava. Isso ficou bem evidente depois de umas férias em Curitiba, no inverno, me empanturrando de quentão, chocolate quente, massas e morango com chantilly...voltei pra casa quase 5 kg mais magra.

Em 1988 perdi meu emprego. Abri um restaurante em sociedade com minha mãe. Meu pai teve sérios problemas cardíacos pouco depois e fez 2 pontes de safena. Em resumo, o estresse passou a fazer parte da rotina. E com ele, comecei a ganhar um pouco mais de peso. Ainda nada drástico.

Mas quando engravidei de meu primeiro filho, em 1990, eu já estava acima do peso. Nem engordei tanto na gravidez. Em princípio, poderia ter recuperado a forma. Mas perdi meu filho, que nasceu prematuro de 7 meses e meio, poucas horas depois do nascimento. E não havia mais nada que eu pudesse perder. Na verdade, em um mês e meio perdi minha avó, meu filho (4 dias depois) e meu avô. Sem falar que minha gravidez foi extremamente tensa devido ao estado de saúde de meu pai.

A partir daí, foi um caminho sem volta.

Minha filha nasceu 13 meses depois de minha primeira gestação. E, após 1 ano e 10 meses nasceu meu caçula. E eu não consegui perder nem mesmo um grama nos intervalos. A gravidade da saúde de meu pai aumentava. Minha rotina era correr do trabalho para o hospital, passando em casa para ver as crianças. Meu pai faleceu poucos dias antes de meu filho completar um ano.

Algum tempo depois, meu casamento acabou, minha empresa foi fechada e comecei a me dedicar a uma atividade profissional totalmente diferente mas que sempre desejei exercer. Não perdi peso, mas também não engordei mais. Oscilava de peso, mas hesitava em considerar a hipótese de uma cirurgia bariátrica porque acreditava que ela se destinava apenas a quem come muito. Também nada era tão desconfortável assim...

As pessoas me diziam para "fechar a boca". E eu insistia que não era o excesso de comida que me engordava. Não tinha uma alimentação super saudável, mas mesmo as "porcarias" que eu comia não justificavam meu excesso de peso. Eu tinha disposição para a maioria das coisas que sempre fiz. Até que tive um revés muito grande: perdi, ao mesmo tempo, um trabalho ao qual dediquei energia, tempo e dinheiro por 2 anos, meu sócio e melhor "amigo" (assim eu acreditava).

O meu problema de peso se agravou, pois tive psoríase na sola dos pés e durante cinco longos anos, além da medicação à base de corticoide, meus pés descamavam e sangravam. Eu tinha que enfaixar os pés para poder pisar no chão. Eles inchavam tanto que tive que comprar uma sandália quatro números maior que o meu. Foi um período de muito sofrimento, que se refletiu em meu físico. E eu comecei a considerar seriamente a possibilidade de fazer a bariátrica.

Fui ver um cirurgião, que me mandou perder 15 kg, As justificativas se prenderam ao aspecto técnico, que só assim poderia operar por videolaparoscopia, o que era mais seguro. Explicou que os órgãos estavam pesados demais para serem manuseados com as pinças da cirurgia por vídeo. E eu tentei. Fui pro Vigilantes do Peso e em dois meses eu perdi exatamente... 8 semanas. Fiz tudo direitinho: comprei os livros de receitas deles, contei pontos, administrei cardápios... e nada funcionou. Ainda assim, fiz o ultrassom de abdômen total, fiz o exame de apneia do sono, usei o tal aparelhinho por um mês, fui pra nutricionista... mas peso, eu não perdi. Foi uma decepção. 

Três anos depois voltei ao cirurgião, definitivamente decidida. E ele me mandou perder não 15... mas 20 Kg!. Tentei tudo de novo. Refiz os exames, peguei o parecer cardiológico: tudo em ordem. O parecer pneumológico deu risco 1 ("O mesmo de atravessar uma rua"), Parecer psicológico, melhor impossível. Cheguei a perder um pouco de peso (nem de longe o que o médico queria!). Mas minha mãe teve graves problemas de saúde e, como filha única, não havia a menor condição de eu fazer uma cirurgia. Ao contrário: parei todas as minhas atividades para cuidar dela, que faleceu um ano depois.

Desde então, minha vida mudou drasticamente. Devido ao excesso de peso  - junto com a crise em que o país mergulhou - não consegui voltar ao mercado de trabalho. Fiz uma seleção para trabalhar em uma Universidade, mas faltou verba e quase todos os contratados foram demitidos bem antes do prazo mínimo estipulado. Eu, inclusive. E as coisas foram ficando cada vez mais difíceis, tanto material quanto emocionalmente falando. Tive que aprender muito nesse período, uma mudança radical de padrão de vida. Cheguei muitas vezes perigosamente perto da loucura.

Uma amiga conversou com meu atual cirurgião, Dr. Pedro Cavalcanti, sobre mim - Nos conhe
cemos desde a adolescência, apesar de não nos vermos a muitos anos. Ele aconselhou a deixar diminuir o furacão para podermos cuidar de mim. Enquanto isso, o enorme volume de problemas foi gradativamente aumentando meu isolamento e minhas limitações. Tentei de todas as formas reverter as limitações materiais para poder cuidar da saúde.

Até perceber que estava na contramão.

Tenho que cuidar da saúde para poder reverter os problemas materiais.
A outra opção é engordar mais e mais até morrer. Assim, apesar das enormes limitações financeiras, estou aproveitando que consegui manter meu plano de saúde e dedicada a fazer a cirurgia. Tenho consciência da maratona que vai ser e do quanto precisarei do apoio emocional (e até financeiro) para conseguir obter os resultados pretendidos.Mas estou decidida.

Quero recuperar minha saúde.
Quero minha vida de volta!

12.Fev.2017

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

No Meio do Caminho Tinha Uma Pedra...

Quando me decidi a fazer a cirurgia, apesar de já ter trilhado o início do processo antes, quis me iludir que desta vez seria mais fácil. Cheguei a imaginar que conseguiria fazer todo o percurso em coisa de uns 2 meses. Foi uma ótima maneira de driblar a insegurança.

Então, fui ver o cirurgião no início da semana. E aí, veio o choque de realidade. Sim, tenho que perder aqueles 20 Kg que me foram pedidos 6 anos atrás... Entrei em pânico! Já me imaginei obesa pro resto da minha (curta) vida, pois não poderia conseguir essa proeza! Tive que me controlar para não desabar em lágrimas. Falei que havia tentado isso antes e não tinha conseguido! Foi uma sensação de déjà vu ampliado.

A diferença veio nas explicações de porque isso é necessário. O médico me esclareceu que se eu fosse operada com o peso que estou poderia ter sequelas devido à mudança drástica na absorção dos nutrientes. E ainda, que a perda  de peso seria feito com dieta e medicamentos, e que eu conseguiria, igual a todo mundo. Deu exemplos de pacientes com um peso muito superior ao meu e que perderam 30 Kg para serem operados - e mais 80 depois da cirurgia. Falei para ele que uma dificuldade que tenho é que, ao contrário do que se imagina, eu não como muito. E pela primeira vez ouvi um médico confirmar o que minha experiência me mostra há anos: a principal causa da super obesidade não é a quantidade de comida. A questão é metabólica e emocional, mesmo. Sim, é óbvio que existe a questão da alimentação saudável (ou não). Enfim...

Apesar da injeção de ânimo e da segurança que ele me transmitiu, confesso que saí de lá arrasada! Me senti perdida! Aos poucos, e conversando com amigos que passaram ou acompanharam o processo, recebi novas injeções de ânimo. Todos me afirmando que seria menos complicado do que me parecia. Também liguei para minha ex-terapeuta marcando para voltarmos a trabalhar. Sobretudo a energização e alinhamento dos chakras. 

Saber que não estou sozinha, que tenho o apoio terapêutico e de amigos fez uma enorme diferença. Comecei a ver as coisas com uma perspectiva mais amena. 

E tirei o dia hoje para fazer os exames de sangue - ao todo, 37 + 22 pedidos pelo cardiologista. Ainda bem que muitos coincidem, ou eu ia ter quase todo o sangue drenado para os tubos de exame... Ainda mais que teria que ir duas vezes ao laboratório, já que alguns exames são pós prandial.

Mas, nada é tão simples assim... 
Chegando ao laboratório, falta um carimbo na requisição. Tenho que voltar ao consultório para pegar esse carimbo, fazer o jejum de novo e adiar o exame para segunda feira.

Claro que isso foi chato e frustrante. Mas, ao mesmo tempo, serviu para baixar a fervura. Tudo a seu tempo.

O caminho é longo e cheio de pedras. Uma das coisas que vou precisar aprender é a desviar delas durante a jornada.

domingo, 5 de fevereiro de 2017

"Vai Ter Gorda na Praia"

Faz tempo que não vou à praia. 
Nem roupa de banho eu tenho mais. E, de vez em quando, recebo algumas sugestões bem intencionadas, mas desconfortáveis... pra dizer o mínimo. Tipo... 
  • "ah, não precisa de roupa de banho.... Vai de short." ... ou 
  • "Por que você não vai de vestidinho? O que é que tem?..." ... ou
  • " Não precisa ir pra tomar sol.... Vai, pelo menos, olhar os pés na água. Isso já refresca..."
  • "Vai cedinho.... tem menos gente..."
Não existe uma lei explícita e poucas pessoas são tão cruéis para rir na cara das pessoas gordas (por trás delas.... "pode"). Mas, parece haver uma concordância tácita de que a praia é o reduto dos jovens, sarados e gostosos. A tirania da beleza parece atingir seu auge durante o verão (que, para nõs, dura quase o ano todo).

Enfim, um grupo resolve reagir. 
Veja a maravilhosa matéria sobre o movimento "Vai Ter Gorda na Praia", que acontece hoje na Praia Mole, em Florianópolis. [Clique no link.]


Movimento "Vai ter gorda na praia" acontece em Florianópolis no próximo domingo

01/02/2017- 11h01min
  -  Atualizada em 10/02/2017- 12h49min


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Modelos plus size que participarão do evento
Foto: Leandro Lautert / Divulgação
  
"Era proibido?", é o que se lê nos primeiros comentários acerca do evento, assim como foi na ação do ano passado. Nunca houve lei que proibisse uma gorda de ir à praia, mas é justamente discutir as entrelinhas o objetivo principal do evento "Vai ter Gorda na Praia Sul - ano 2", organizado pelo projeto catarinense Sim sou Diva. No próximo domingo, 5, a partir das 10h30min, mulheres estarão reunidas na Praia Mole, em Florianópolis, para conversar, tirar fotos, produzir vídeos e mostrar que praia é território de quem se sente bem nela. A idealizadora da ação e do blog, Letícia de Assis, conta que nem responde esse tipo de comentário. 

Se uma pessoa não é capaz de compreender as dificuldades que uma mulher gorda, ou fora dos padrões impostos pela mídia, sente ao longo da vida, não vou ser eu que vou bater boca em redes sociais — argumenta.

O Vai Ter Gorda na Praia é um movimento nacional, iniciado pela paulista Helena Custódio e reinventado pela santista Erika Cador com a hashtag #vaitergordasim. Em Santa Catarina, o então blog Sim sou Diva comprou a ideia e começou a promover os encontros em 2016. 

No ano passado, ficamos em primeiro lugar em diversas mídias, fomos aplaudidas e recebemos adesão de muito mais gente do que imaginávamos, num contraponto aos comentários gordofóbicos e agressivos feitos nas redes sociais e até no meu perfil pessoal — conta Letícia.

Na edição desse ano, as modelos do casting Sim sou Diva abraçaram a organização do evento, que já conta com centenas de interessados em uma rede social. Os objetivos da ação são questionar os padrões de beleza, combater a gordofobia, espalhar a tolerância às diferenças e dar um banho de autoestima, alegria e colorido numa das praias onde as gordas mais têm medo de pisar. 

A praia Mole é território de gente sarada e por isso um excelente local para esse protesto cheio de charme e bom-humor — conta Taíse Assunção, modelo plus size, digital influencer e vendedora da Barra da Lagoa.

Além de Letícia e Taíse, participam do casting e do evento as modelos Anelise Darcy, vice-miss Santa Catarina Plus Size by MBPS; Bruna Remor, miss Santa Catarina Plus Size Nacional by Eduardo Araújo; Edvana Staviski, publicitária e produtora de eventos; Ester Destri, advogada e assessora da prefeitura de São José; Maria Helena Lindermann, finalista do Miss Brasil Plus Size Sênior by MBPS; Monike Bley, professora de matemática; e Rosângela Heckert, A Mais Bela Gordinha de Santa Catarina e Miss Plus Size Mercosul. 

Também estão pré-confirmadas as presenças de Aline Zattar, ex-miss Brasil Plus Size by Impacto e modelo de algumas das principais marcas nacionais; Altaiza Meurer, modelo plus size internacional; Bianca Reis, empresária e ativista gorda; Jana Gularte e Juliana D Passos, cantoras; Raphaella Lancini, modelo plus size de grandes marcas nacionais; Rosilene Bejarano, miss Santa Catarina Plus Size Sênior by MBPS e Rubia Porto, miss Santa Catarina Plus size by MBPS.

De acordo com a organização, o convite está aberto e todas e todos serão recebidos com festa em meio a guarda-sóis coloridos, na altura do conhecido Bar do Deca.

Dados do mercado plus size

Na contramão de uma vida permeada por preconceitos, dificuldades em encontrar roupas, discriminação até na família e uma luta incessante pela autoestima, as mulheres gordas começam a desfrutar dos ganhos do aquecimento do mercado plus size, que cresce mesmo em meio à crise. Os dados do Sebrae apontam crescimento anual bem acima da média e novos nichos que contemplam tamanhos acima do 54 — limite anterior inclusive das próprias marcas plus size — ganham força.

Hoje já existem marcas que trabalham com tamanhos acima do 60 em modelagens modernas, cortes que valorizam curvas especiais e estampas para atender os mais diversos gostos. Outra peculiaridade que começa a ser observada é o tipo de corpo da brasileira. 

Às vezes a mulher veste um 52 no quadril e um M padrão no busto, ou possui costas estreitas e bustos fartos. As marcas aos poucos estão se ligando nessas diferenças e começando a oferecer modelagens inteligentes, mesmo em larga escala — explica Letícia.

O número de eventos voltados para as gordas também aumentou nos últimos anos. Além do Fashion Weekend Plus Size, do Pop Plus e do Hashtag Bazar, já consagrados e realizados nas metrópoles São Paulo e Rio, o Plus Fashion, de Curitiba, e o catarinense Diva Fashion — que terá sua primeira edição em maio deste ano — despontam como possibilidades de negócios regionais.

Realidade x autoestima

"Quem é gorda sabe o que já sofreu na vida", conta Edvana Stavizki, complementando que hoje consegue sair imune a ataques gordofóbicos e olhares discriminatórios. 

Não é lamúria, é realidade. Assim como só um negro sabe opinar sobre racismo com propriedade; um gay sabe falar sobre os temores reais da homofobia, só gordos e gordas — ou quem já foi — sabe o que é passar etapas e mais etapas até a aceitação e o amor próprio — completa.

A técnica em radiologia, Rosângela Heckert, chama atenção para o conceito da despatologização da obesidade. 
As pessoas confundem biotipo com saúde e já existem estudos sérios e profundos que colocam esse argumento por terra. Não faço dieta porque não quero e não preciso, me acho linda da forma como sou, sou ativa, saudável e rejeito qualquer imposição de quem quer que seja, inclusive de algumas marcas que ainda insistem que devemos, como modelos, entrar num 44/46 —, desabafa.

Cederam as peças para as modelos do casting nesta edição as empresas Vemiles, de São Miguel d'Oeste; Linda Guria, da Praia do Rosa, Imbituba; e Drill Moda íntima plus size, de Jequié, na Bahia. 

SERVIÇO
O que? Vai ter Gorda na Praia Sul - Ano 2 
Onde? Praia Mole, Florianópolis - altura Bar do Deca 
Quando?Dia 05 de fevereiro, a partir das 10h30min

sábado, 4 de fevereiro de 2017

Construindo A Estrada

Melhor dizendo... reconstruindo.

Tenho tentado lidar com todas as inseguranças que afloraram desde que retomei a decisão de fazer a cirurgia. Sinceramente? Achei que essa parte estaria superada. Relendo este blog me dei conta que comecei a considerar a opção pela bariátrica há onze anos! E, de alguma forma, nunca era o momento certo.

E, justamente quando minha vida deu uma guinada, tive que lidar com a perda de minha mãe, de emprego, e meu padrão de vida caiu drasticamente... eu tomo a decisão de forma irrevogável. Por outro lado, faz todo o sentido. A ampulheta está virada, a areia do tempo está escoando. Agora, mais do que nunca, preciso de minha vida de volta, de minha saúde de volta

Espero ainda ter alguns bons anos pela frente. 
E quero desfrutá-los com qualidade física e emocional. Essa é a questão. Tento superar as inseguranças focando no resultado esperado: nos carnavais que ainda terei tempo de brincar, nas praias que poderei desfrutar, nos passeios e caminhadas agradáveis que poderei fazer. Olhar para o espelho e ter prazer na imagem refletida. Esse é o foco. Conhecer as dificuldades, mas enfrentá-las, com base no que poderei ter de bom.

Assim, hoje cumpri o 2º passo: pneumologista.
O resultado não foi tão animador quanto a consulta ao cardiologista. Minha capacidade pulmonar diminuiu desde que fui lá, há seis anos. E ele me pediu o exame de polissonografia, ou o exame do sono. Fiz isso em 2009, mas em 2011 a avaliação foi tão boa que ele não achou necessário.

Fiquei assustada, claro. Mas tenho a sorte de ter médicos humanistas e animadores. Ele me esclareceu que era absolutamente normal, devido ao sobrepeso. Não era uma disfunção pulmonar, apenas o excesso de peso impedia que os pulmões se expandissem completamente. E que, por isso, era realmente necessário fazer a cirurgia. Falei que fico preocupada porque minha obesidade não se deve a nenhum dos dois motivos mais comuns: nem como muito nem tenho problemas hormonais. E ele disse que é uma questão metabólica e o corpo  precisa do "empurrão" da cirurgia para acelerar.

A frase mais importante? "Não se culpe, nem deixe os outros lhe culparem. Não é culpa sua."

Da última vez, ele avaliou que meu risco era o mesmo "que atravessar uma rua" - ou seja, risco 1. Hoje, meu risco ainda é baixo, mas já passou para nível 2.

Me dá medo.
Mas reforça que preciso fazer minha cirurgia o mais rápido possível.