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Estou me preparando pra fazer uma Gastroplastia... redução de estômago... E uma maneira de controlar a ansiedade é escrever...
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quarta-feira, 1 de março de 2017

O Grande Desafio

Desde que decidi fazer a cirurgia, minha cabeça virou um turbilhão.

A ansiedade me consome, queria que já estivesse tudo marcado, que a cirurgia fosse semana que vem. Queria já ter perdido pelo menos metade dos quilos que devo perder. Queria que fosse mágica... Mas sei que não é. 

Sei bem a longa trilha que se abre à minha frente. E que ela vai percorrer florestas densas e despenhadeiros profundos. Não é de agora que penso na cirurgia, portanto isso já foi muito trabalhado em terapia. E por isso mesmo, a surpresa de ter ficado tão mexida com a decisão. Ela despertou velhos fantasmas e trouxe à tona uma enormidade de inseguranças e medos que eu julgava já completamente vencidos. Tenho me sentido vulnerável e fragilizada como há muito não me sentia. E me dei conta de que, na verdade, adiei a decisão esperando ficar mais forte.

Porque não é a cirurgia em si que me assusta. Me assusta o desconhecido. E a solidão do caminho. Me assusta ter que lidar com todas as coisas que me trouxeram a um estado de super obesidade. Me assusta a perspectiva de mudança, de me despir dos escudos. E o medo de não conseguir atingir as metas. Me assusta a falta de colo, de ombro, de toque, de voz...

Para mim é surpreendente como nos grupos de gastroplastia se fala pouco sobre sentimentos. Todo mundo compartilha dúvidas e metas. Todo mundo diz o quanto está feliz com os resultados. Mas não vi ninguém falar das inseguranças. Mudar não é fácil. E enfrentar uma mudança tão radical da auto-imagem é ainda mais complicado.

Tenho me dado conta de como é fundamental o suporte emocional. A questão material é, também, importante. Mas se sentir acolhida, protegida, ter com quem partilhar todo o processo é fundamental. Saber com quem vai contar durante o processo pré e pós-operatório, saber que vai ter alguém ali, torcendo, ajudando, cuidando, curtindo cada progresso é talvez o primeiro passo para o sucesso do empreendimento. 

Sou abençoada com amigos generosos e amorosos. 
Mas sou consciente que cada um tem seu próprio ritmo de vida e não estou acostumada a incomodar os outros com meus problemas. Minha filha tem um ritmo de vida corrido, um salário apertado e pouca disponibilidade de tempo. Meu filho é um grande companheiro, mas trabalha com arte (=salário pequeno e incerto), além de não ser exatamente um "chef de cuisine"...
E eu fico pensando em uma série de dificuldades e como resolvê-las.
  • como fazem as pessoas que, como eu, não cozinham nem têm quem prepare sua dieta?
  • como se preparam as pessoas que, como eu, não têm um salário e foram pegas de roldão pela crise do país?
  • como fazem aqueles que não contam com ninguém para acompanhá-los no hospital ou nos primeiros dias?
  • qual o nível de dependência de ajuda - e por quanto tempo - a pessoa vai ter?
  • com que rapidez é necessário repor o guarda-roupa - coisa difícil quando não se tem dinheiro disponível?
  • qual o custo da dieta e dos medicamentos? algum medicamento consta da farmácia popular?
  • que alterações de humor podem ser desencadeadas?
  • quanto tempo de repouso será necessário - sobretudo quando se depende exclusivamente do que se puder produzir e não se tem reserva financeira?
  • que despesas serão necessárias para o pré e pós-operatório?
Tentar controlar a ansiedade e a insegurança é um exercício diário. Tentar descobrir formas de minimizar as dificuldades financeiras é outro. E manter a sanidade e a confiança em meio a tudo isso é o grande desafio. Escrever é uma forma de aliviar esse estresse. Organizar as coisas e liberar espaço para o futuro é outra: semana passada fiz uma faxina no armário e descobri uma série de coisas que me serão úteis (espero) num futuro próximo. Roupas que, no momento, não me cabem, mas que ficarão ótimas quando eu eliminar uns bons 10 ou 20 kg... peças que nem cheguei a usar, mimos para os dias no hospital... Isso vai tornando tudo mais real e mais próximo. O que é fundamental, sobretudo quando não se tem com quem dividir.

E, a cada dia, espero me livrar de um medo ou um fantasma.
A cada dia espero me fortalecer mais e mais para que essa luta seja vencida.
A cada dia sou grata por aqueles que, mesmo silenciosamente, torcem por mim.

Ainda me sinto no limbo, na estreita faixa entre a decisão e o início do processo. Semana que vem vou à nutricionista e volto ao cirurgião com todos os exames feitos.

E, então, poderei dizer que foi dada a largada.

01 / 03 / 2017



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